Sempre achei que escrevendo estaria me libertando e me redimindo por coisas não ditas e pensamentos silenciados... Hoje, percebo que para me libertar tenho que parar de escrever - por um tempo - e começar a viver. Tenho que transformar palavra em verbo, pensamento em ação e rever meus conceitos. Devo me despedir dessa vida de distrações mal-elaboradas e me reinventar, agir. Antes me via como um pássaro de asas cortadas preso na gaiola do destino... Hoje sou ave liberta, estou livre. Livre de quê? O que consegui? Não sei bem. Talvez coragem para encarar a realidade de frente sem me deixar abater e seguir.Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009
Despedida
Sempre achei que escrevendo estaria me libertando e me redimindo por coisas não ditas e pensamentos silenciados... Hoje, percebo que para me libertar tenho que parar de escrever - por um tempo - e começar a viver. Tenho que transformar palavra em verbo, pensamento em ação e rever meus conceitos. Devo me despedir dessa vida de distrações mal-elaboradas e me reinventar, agir. Antes me via como um pássaro de asas cortadas preso na gaiola do destino... Hoje sou ave liberta, estou livre. Livre de quê? O que consegui? Não sei bem. Talvez coragem para encarar a realidade de frente sem me deixar abater e seguir.Maturidade para aceitar o que não posso mudar. E perseverança. Afinal, a vida continua...Tenho muito o que buscar... E para isso me despeço e me liberto.
Adeus... À Deus... ou até breve!
{Tanmi}
'Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz. Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma. Vivo numa dualidade dilacerante. Eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim.'
{Clarice Lispector}
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Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009
Soneto da separação
'De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.'
{Vinícius de Moraes}
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Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2008
(...)
'Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz.'
{Clarice Lispector}
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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
Falando em poesia
Eu não entendo
Como pode alguém
Ler um poema
E não se sentir tocado
Através das palavras
Como pode alguém
Não gostar de poesia
(...)
Poesia é sentimento
É estado de espírito
É falar com a alma
É passar para o papel
O que a maioria das pessoas
Prefere guardar no silêncio
(...)
Eu prefiro escrever
Não sou tão boa nisso, confesso
Mas me desprendo de mim
E escrevo
(...)
Melhor ainda
É ler poesia
Sentir poesia
Respirar os poemas!
{Tanmi}
'Sou um monte intransponível no meu próprio caminho. Mas às vezes por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente tudo se esclarece.' {Clarice Lispector}
Como pode alguém
Ler um poema
E não se sentir tocado
Através das palavras
Como pode alguém
Não gostar de poesia
(...)
Poesia é sentimento
É estado de espírito
É falar com a alma
É passar para o papel
O que a maioria das pessoas
Prefere guardar no silêncio
(...)
Eu prefiro escrever
Não sou tão boa nisso, confesso
Mas me desprendo de mim
E escrevo
(...)
Melhor ainda
É ler poesia
Sentir poesia
Respirar os poemas!
{Tanmi}
'Sou um monte intransponível no meu próprio caminho. Mas às vezes por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente tudo se esclarece.' {Clarice Lispector}
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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008
A culpa
Procuro em quem pôr a culpa. Insisto em achar um culpado, para desviar-me de uma culpa que talvez seja só minha, ou não, acho que acabo me maltratando. Sinto-me responsável por tudo o que acontece ao meu redor, como se eu precisasse exercer um certo controle, para que nada fugisse das minhas mãos. É tudo tão complexo. Ter o complexo da culpa, sem ter culpa de nada.{Tanmi}
'Não sei qual a minha culpa mas, peço perdão. A luz do farol revelou-os tão rapidamente que não puderam ver. Peço perdão por não ser uma 'estrela' ou o 'mar' ou por não ser alegre... Peço perdão por não saber me dá nem a mim mesma, para me dar desse modo a minha vida se fosse preciso mas, peço de novo perdão, não sei perder minha vida.' {Clarice Lispector}
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Terça-feira, 21 de Outubro de 2008
Das alegrias passageiras
Meu sorriso é espontâneo e inocenteParece sorrir como quem diz: 'Depressa, que já estou indo...'
Às vezes sinto que minha alegria é tão passageira
Que nem tenho tempo de me sentir feliz
É como se eu me preparasse para uma nova dor.
{Tanmi}
'Toda alegria é assim; já vem embrulhada numa tristezinha de papel fino.'
{Millôr Fernandes}
'Por detrás da alegria e do riso, pode haver uma natureza vulgar, dura e insensível.
'Por detrás da alegria e do riso, pode haver uma natureza vulgar, dura e insensível.
Mas, por detrás do sofrimento, há sempre sofrimento. Ao contrário do prazer , a dor não tem máscara.' {Oscar Wilde}
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Domingo, 19 de Outubro de 2008
Sereníssima
Um dia estarei inerte, imóvel, intocávelNuma barreira entre mim e o mundo
Esse mundo e o outro
Diante de Deus e longe dos homens
Nas nuvens, no céu
Atravessarei o portal
Transportada por coros de anjos
Embalada na música
Flutuando entre notas
Despreocupada, destemida, deszelosa
Numa barreira entre mim e o mundo
Esse mundo e o outro
Mais perto de Deus
Mais perto de mim
Sereníssima
Desde o início até o meu fim!
{Tanmi}
Viver é um ato que não premeditei. Brotei das trevas. Eu só sou válida para mim mesma. Tenho que viver aos poucos, não dá para viver tudo de uma vez. Nos braços de alguém eu morro toda. Eu me transfiguro em energia que tem dentro dela o atômico nuclear. Sou o resultado de ter ouvido uma voz quente no passado e de ter descido do trem quase antes dele parar — a pressa é inimiga da perfeição e foi assim que corri para a cidade perdendo logo a estação e a nova partida do trem e seu momento privilegiado que desperta espanto tão dolorido que é o apito do trem, que é adeus.
{Clarice Lispector}
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